A Alemanha e o mundo comemoram, hoje (31), um dos maiores terremotos do cristianismo, os 500 anos da Reforma Protestante.

A Alemanha e o mundo comemoram nesta terça-feira, 31 de outubro, o 500º aniversário da Reforma Protestante, um dia em que, excepcionalmente, é feriado em todo o país, com direito a cerimônia em Winttemberg, berço do protestantismo, com a presença da chanceler Ângela Merkel.

No Brasil, desde sábado (28), igrejas estão celebrando a data. Nesta segunda-feira (30), por exemplo, no Senado Federal, religiosos participaram de uma sessão especial, com a presença do coral da Igreja Presbiteriana de Brasília. A Câmara Municipal de Juiz de Fora, em Minas, fez uma sessão solene também. E um culto na noite desta segunda na Igreja do Nazareno Central de Campinas, São Paulo, reuniu fiéis das igrejas luterana, presbiteriana, metodista, batista e anglicana. No Rio, o Parque Olímpico, se tornou local de orações para mais de 15 mil pessoas.  Em Curitiba as comemorações acontecem no centro de exposições do Parque Bariqui.

A REFORMA PROTESTANTE foi um dos maiores terremotos teológico do Cristianismo.

No dia 31 de outubro de 1517, 500 anos atrás, aconteceu um dos maiores movimentos teológicos que desestruturaram a Igreja Católica e criou uma nova forma de ver o cristianismo – a Reforma Protestante.

Foi nesta data que o monge alemão Martinho Lutero, em uma porta na entrada da igreja do castelo de Wittenberg,  pregou seu grande manifesto: um documento com 95 afirmações que denunciou os abusos que vinham sendo cometidos pela Igreja Católica à qual pertencia.

Por causa do ato de Lutero, a Igreja do Castelo, que também é conhecida com a Igreja de Todos os Santos, se tornou um marco do começo da Reforma Protestante. E até hoje, principalmente agora, nas celebrações dos 500 anos, pessoas do mundo inteiro vão até lá prestar homenagens ao homem que ousou desafiar a Igreja Católica num tempo de trevas e acabou mudando os rumos da história.

As teses, escritas em latim, eram destinadas a suscitar uma discussão, entre os acadêmicos, sobre a legitimidade bíblica de tal negócio.

O efeito destas teses foi tão inesperado, que não ficaram entre os letrados, mas traduzidas do latim para o alemão, em poucas semanas se espalharam por toda a Alemanha e outras partes da Europa, e chegaram ao conhecimento do povo em geral. E o povo sentia que nestas frases se anunciava uma libertação do jugo de um sistema clerical que, em vez de servir, dominava as almas dos crentes.

Em 1518, Roma tratou de liquidar o caso do monge de Wittemberg. Lutero foi chamado para responder processo em Roma, dentro de sessenta dias. Mas por interferência de Frederico o Sábio, Príncipe da Saxônia na Alemanha, o papa consentiu que a questão fosse tratada em Augsburgo, e para isto comissionou o Cardeal Cajetano. Este exigia simplesmente que o réu declarasse sem conversa ou discussão: “revogo tudo”.

Naturalmente nada conseguiu e Lutero voltou a Saxônia.
No verão de 1519, Lutero foi a um debate teológico em Leipzig com João Eck, professor da Universidade de Leipzig. Eck forçou Lutero a admitir que papas e concílios podem errar e que nem tudo na doutrina era herético. Lutero esteve neste debate acompanhado de 200 estudantes e de Felipe Melanchton, seu amigo e discípulo.

Em 1520 Lutero escreveu seus três mais poderosos tratados. Em seu livro “À Nobreza Cristã da Alemanha”, Lutero pede que a Alemanha se una contra os abusos de Roma. Em “No Cativeiro Babilônico da Igreja”, ele ataca as doutrinas não bíblicas da Igreja romana, especialmente os sacramentos extras. E no seu “A Liberdade de um Cristão” ele enfatiza o sacerdócio de todos os crentes.

Lutero foi então intimado a comparecer diante do Imperador Carlos V, um católico devoto, Rei da Espanha e Alemanha. Este Carlos esperava consolidar seu dividido império através da negociação com os protestantes cismáticos.

Em Leipzig, 1519, Lutero admitira que os concílios da Igreja e o próprio papa poderiam se equivocar. Isso causou uma reação violentíssima de Roma. Agora, em Worms, Lutero comparece, convocado a se humilhar e renegar tudo que havia escrito e ensinado diante do Imperador. Quando diante de Carlos V lhe perguntaram se ele se retrataria, ele apenas replicou: “A menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras… não posso e não retratarei nada… Aqui eu permaneço. Eu não posso fazer outra coisa. Que Deus me ajude. Amém”.

Sentindo-se desafiado por esse “mongesinho do interior de um país periférico”, de Roma, a resposta do papa a estas exposições bem intencionadas foi a “Bula de Excomunhão” – Exurge Domine -, isto é, um comunicado oficial, passado em nome de Deus, de que o frade seria excomungado da Igreja, se, dentro de 60 dias, não revogasse o que havia escrito e ensinado.

A bula mandava que todos os livros do herege Lutero fossem queimados, o que se fez realmente em algumas cidades, como em Colônia e Mongúncia.

As afirmações de Lutero em Leipzig deram-lhe a sua excomunhão da Igreja. Agora sua atitude em Worms deu-lhe também o seu banimento do Império. Em todo o império todos estavam proibidos de defendê-lo ou de ler seus escritos. Para salvar a vida dele, Frederico o sábio, príncipe da Saxônia, raptou Lutero a fim de protegê-lo no castelo Wartburg. Lá ele foi confinado por quase um ano, durante o qual ele traduziu o Novo Testamento do grego para o alemão popular, um trabalho de grande importância para a Reforma alemã.

Na primavera de 1522, Lutero retornou para Wittemberg para resolver os problemas criados pelos “profetas” de Zwickau, certos irmãos fanáticos e desequilibrados que radicalizavam a Reforma e pregavam uma revolução destrutiva contra todo tipo de autoridade. Esse movimento de Reforma mudou a Europa e todo o Cristianismo de modo profundo e definitivo.

Texto: Anderson Moura

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